quinta-feira, 26 de novembro de 2009

ADEUS, FHC - por Leandro Fortes

Fernando Henrique Cardoso foi um presidente da República limítrofe, transformado, quase sem luta, em uma marionete das elites mais violentas e atrasadas do país. Era uma vistosa autoridade entronizada no Palácio do Planalto, cheia de diplomas e títulos honoris causa, mas condenada a ser puxada nos arreios por Antonio Carlos Magalhães e aquela sua entourage sinistra, cruel e sorridente, colocada, bem colocada, nas engrenagens do Estado. Eleito nas asas do Plano Real – idealizado, elaborado e colocado em prática pelo presidente Itamar Franco –, FHC notabilizou-se, no fim das contas, por ter sido co-partícipe do desmonte aleatório e irrecuperável desse mesmo Estado brasileiro, ao qual tratou com desprezo intelectual, para não dizer vilania, a julgá-lo um empecilho aos planos da Nova Ordem, expedida pelos americanos, os patrões de sempre.

Em nome de uma política nebulosa emanada do chamado Consenso de Washington, mas genericamente classificada, simplesmente, de “privatização”, Fernando Henrique promoveu uma ocupação privada no Estado, a tirar do estômago do doente o alimento que ainda lhe restava, em nome de uma eficiência a ser distribuída em enormes lucros, aos quais, por motivos óbvios, o eleitor nunca tem acesso.

Das eleições de 1994 surgiu esse esboço de FHC que ainda vemos no noticiário, um antípoda do mítico “príncipe dos sociólogos” brotado de um ninho de oposição que prometia, para o futuro do Brasil, a voz de um homem formado na adversidade do AI-5 e de outras coturnadas de então. Sobrou-nos, porém, o homem que escolheu o PFL na hora de governar, sigla a quem recorreu, no velho estilo de república de bananas, para controlar a agenda do Congresso Nacional, ora com ACM, no Senado, ora com Luís Eduardo Magalhães, o filho do coronel, na Câmara dos Deputados. Dessa tristeza política resultou um processo de reeleição açodado e oportunista, gerido na bacia das almas dos votos comprados e sustentado numa fraude cambial que resultou na falência do País e no retorno humilhante ao patíbulo do FMI.

Isso tudo já seria um legado e tanto, mas FHC ainda nos fez o favor de, antes de ir embora, designar Gilmar Mendes para o Supremo Tribunal Federal, o que, nas atuais circunstâncias, dispensa qualquer comentário.

Em 1994, rodei uns bons rincões do Brasil atrás do candidato Fernando Henrique, como repórter do Jornal do Brasil. Lembro de ver FHC inaugurando uma bica (isso mesmo, uma bica!) de água em Canudos, na Bahia, ao lado de ACM, por quem tinha os braços levantados para o alto, a saudar a miséria, literalmente, pelas mãos daquele que se sagrou como mestre em perpetuá-la.

Numa tarde sufocante, durante uma visita ao sertão pernambucano, ouvi FHC contar a uma platéia de camponeses, que, por causa da ditadura militar, havia sido expulso da USP e, assim, perdido a cátedra. Falou isso para um grupo de agricultores pobres, ignorantes e estupefatos, empurrados pelas lideranças pefelistas locais a um galpão a servir de tribuna ao grande sociólogo do Plano Real. Uns riram, outros se entreolharam, eu gargalhei: “perder a cátedra”, naquele momento, diante daquela gente simples, soou como uma espécie de abuso sexual recorrente nas cadeias brasileiras. Mas FHC não falava para aquela gente, mas para quem se supunha dono dela.

Hoje, FHC virou uma espécie de ressentido profissional, a destilar o fel da inveja que tem do presidente Lula, já sem nenhum pudor, em entrevistas e artigos de jornal, justamente onde ainda encontra gente disposta a lhe dar espaço e ouvidos. Como em 1998, às vésperas da reeleição, quando foi flagrado em um grampo ilegal feito nos telefones do BNDES. Empavonado, comentava, em tom de galhofa, com o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, das Comunicações, da subserviência da mídia que o apoiava acriticamente, em meio a turbilhão de escândalos que se ensaiava durante as privatizações de então:

Mendonça de Barros – A imprensa está muito favorável com editoriais.

FHC – Está demais, né? Estão exagerando, até!

A mesma mídia, capitaneada por um colunismo de viúvas, continua favorável a FHC. Exagerando, até. A diferença é que essa mesma mídia – e, em certos casos, os mesmos colunistas – não tem mais relevância alguma.

Resta-nos este enredo de ópera-bufa no qual, no fim do último ato, o príncipe caído reconhece a existência do filho bastardo, 18 anos depois de tê-lo mandado ao desterro, no bucho da mãe, com a ajuda e a cumplicidade de uma emissora de tevê concessionária do Estado – de quem, portanto, passou dois mandatos presidenciais como refém e serviçal.

Agora, às portas do esquecimento, escondido no quarto dos fundos pelos tucanos, como um parente esclerosado de quem a família passou do orgulho à vergonha, FHC decidiu recorrer à maconha.

A meu ver, um pouco tarde demais.

Guerra no ninho tucano

Os tucanos em guerra lutam para ver quem vai perder para Dilma... E quem diria o príncipe dos sociólogos virou contrabando... Blog do Rodrigo Viana http://www.rodrigovianna.com.br/


Sou de um tempo em que o PT era apontado como o partido que perdia mais tempo em lutas internas do que no combate aos adversários. Acompanhei bem isso em 89/90/91, durante o mandato de Luiza Erundina na Prefeitura de São Paulo. As tendências petistas travavam um combate feroz, às vezes irracional... O que atrapalhou muito Erundina.


Pois bem. Hoje, é o PSDB quem vive situação parecida com a do PT de 20 anos atrás. Reparem bem. Só que a guerra tucana é surda, sem o debate público que caracterizava as disputas petistas. Mas é guerra do mesmo jeito.


Agora, assistimos a mais um capítulo. Em entrevista à radio Jovem Pan, Serra mostrou-se contrariado com a pesquisa CNT/Sensus que mostra o crescimento de Dilma. O governador paulista disse que a pergunta sobre a influência de FHC na eleição (tira votos de quem receber seu apoio) entrou como "contrabando" na pesquisa. O portal "Vermelho" traz um texto detalhado sobre isso - http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=120025&id_secao=1


Essa história de "contrabando" foi a maneira velada de Serra dizer a Aécio: "sei o que você está aprontando".


E o que Aécio (que disputa a indicação presidencial dos tucanos com Serra) tem a ver com isso?Ora, a pesquisa CNT/Sensus é patrocinada pela Confederação Nacional do Transporte, presidida pelo mineiro Clésio Andrade. Clésio foi vice de Aécio no primeiro mandato à frente do governo de Minas. Clésio faz o jogo de Aécio. Na hora da divulgação dos números, Clésio fez questão de ressaltar que a proximidade com FHC pode atrapalhar Serra; já estaria tirando votos de Serra.


O governador paulista sabe bem o que os mineiros estão tramando.Não foi o primeiro golpe contra Serra. Semana pasada, foi Cesar Maia (do aliado DEM) quem chamou Serra de "caudilho", e deu a entender que Aécio é melhor candidato.


A movimentação de Aécio também incluiu o encontro com Ciro - numa tentativa de encurralar Serra. Ciro deixou claro que fecha com Aécio.


A pesquisa, a crítica de Cesar e o encontro com Ciro mostram que Aécio entrou firme no jogo.Serra não vai assistir a isso tudo calado. Podem esperar que o troco virá. Serra já usou jornalistas para mandar recados sobre a vida - digamos - desregrada de Aécio. O que mais virá?Isso tudo seria apenas um capítulo menos importante da eleição, não fosse um detalhe: Serra, sem o apoio mineiro, não ganha a eleição. Dilma terá vantagem no Norte/Nordeste, e provavelmente no Rio. No Sul e em São Paulo, Serra deve levar vantagem (ainda que no Rio Grande do Sul a situação tucana seja dramática, por conta do desgoverno de Yeda). Resta Minas.


Se Aécio sair a senador, e encostar o corpo, Serra está frito. Que vantagem Aécio teria numa vitória tucana? Nenhuma.... Com Dilma no Planalto, dependendo da correlação de forças, Aécio pode ser o líder da oposição no Congresso. Ou até o presidente do Senado - num quadro de "pacificação" entre tucanos e petistas...Da mesma forma, se Serra desistir, dificilmente fará campanha aberta por Aécio. O que ganharia com isso? Aécio presidente teria a chance de se recandidatar em 2014 - quando Serra estaria encerrando o segundo mandato de governador em São Paulo. Serra pode preferir uma vitória de Dilma. Se a petista for mal na presidência, ele (Serra) ganha a chance de concorrer pela oposição em 2014.


O xadrez tucano é complicado: as arestas se avolumam entre Serra e Aécio, FHC é um peso morto a se carregar, e Lula é um presidente popular depois de 7 anos de poder.


Diante desse quadro, resta a Serra falar besteira, como: "a economia não vai decidir a eleição" (ele disse isso na entrevista à "Jovem Pan").


A economia não vai decidir? O Brasil estará crescendo perto de 6% a 7% na véspera do pleito ano que vem. Dilma vai crescer junto.
Se a economia não vai decidir, o que vai decidir? FHC? Coitado: o príncipe dos sociólogos hoje é visto como "contrabando" em pesquisa...E, para azar dos tucanos, além de tudo, o PT já não briga tanto. Enquanto a oposição erra, vacila e se perde, Lula atua como o general que conduz suas tropas sem desperdiçar energias.Será que alguém pode explicar ao Serra o que vai decidir a eleição: "é o Lula, estúpido!".

domingo, 15 de novembro de 2009

Carreiras públicas ameaçadas

Depois de ser perdoada pelos deputados governistas da AL e da juíza de Santa Maria alegar que ali não era o fórum correto para julgar a Governadora, o governo gaúcho mais uma vez pratica seu esporte favorito atacar o funcionalismo, principalmente o Magistério.

A Governadora que fez um empréstimo com o Banco Mundial (Um bilhão e cem mil dólares) em que estava contida no acordo a redução da folha do Estado e reestruturação das carreiras dos servidores. Tem um projeto até o final do mandato, acabar com o funcionalismo. Vem aí inclusive um projeto de demissão voluntária.

Com a conivência do PIG (Partido da Imprensa Golpista) o governo falta com a verdade na apresentação do "pacotão" do funcionalismo. É mentira quando diz que os R$1.500,00 (para 40 horas) é piso. Hora se quem ganhar mais que isso não receberá o completivo, isso é um teto, não um piso. Essa leitura não é feita pela imprensa.

O que também não é mencionado, por aqueles que acham a atitude da Governadora um "Golpe de Mestre", é que uma minoria de professores (2%) receberá o completivo, pois como soma todos os ganhos do professor a maioria já recebe R$750,00. E com isso continuarão com os salários congelados.

O projeto ( que ainda não foi apresentado aos professores) já apresentado para os defensores do Governo na imprensa ataca direitos do funcionalismo como os triênios e a licença prêmio. E o tal reforço no salário ignora os aposentados e os servidores. Alguém leu isso na imprensa?

Cronistas gaúchos chegam ao cúmulo de dizer que existe uma "euforia" no interior com o projeto da Governadora. Bem, ou isso é desconhecimento da verdade, o que para um jornalista é um absurdo, ou ainda pior é uma mentira imperdoável. Os professores que têm informação sabe que isso é mais um ataque desse governo apoiado pela grande imprensa do Estado.

O PSDB contratou marqueteiros paulistas para melhorar a péssima imagem da governadora e estão passando a ideia de uma Yeda "boazinha", equilibrada, vítimas de ataques da oposição e das entidades sociais.

O jeito de fazer isso é injetando dinheiro na publicidade governista, o que torna os veículos de comunicação do Rio Grande do Sul ( que recebem esses recursos) defensores incondicionais do governo.

A luta dos servidores serviu, até agora, para barrar o total desmonte dos planos de carreira, com retirada de direitos históricos, conforme Yeda negociou com o Banco Mundial.

Esta semana que começa será mais uma demonstração de força dos Trabalhadores em Educação do RS. Na quarta-feira precisamos lotar o auditório do Instituto E. de Educação "Juvenal Miller, na Assembleia Regional onde discutiremos os projetos da Governadora e a reação dos servidores. Na sexta-feira é a vez da Assembleia Geral, onde lotaremos o Gigantinho, sairão cerca de 6 ônibus de Rio Grande, para demonstrarmos o verdadeiro sentimento da categoria em relação ao projeto-desmonte do governo.

Sempre que instigados essa categoria respondeu com a união, foi assim na Greve de 2008, não será diferente agora.

sábado, 7 de novembro de 2009

Lula responde a FHC e Caetano

O Presidente participou na noite desta sexta-feira,do 12º Congresso do PCdoB. Lula usou parte do tempo de sua fala para rebater as críticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Lula disse:"Nós não temos a sapiência dos sociólogos. Essa semana fui chamado de analfabeto, de ditador, e nessa mesma semana eu ganhei o título de estadista do ano. Eu compreendo o ódio, o intelectual que está assistindo um operário que só tem o quarto ano primário - e não tenho vergonha de dizer - ganhar tudo o que ele imaginava que pudesse ganhar e não ganhou por incompetência é muito difícil. É muito engraçado, tem gente que acha que a inteligência está ligada à quantidade de anos de estudo que você tem, não tem nada mais burro que isso", - Tem muita gente que acha que inteligência está ligada à universidade. Isso é burro. A universidade não dá nada disso. A política é uma ciência que exige muito mais inteligência. De qualquer forma, a vida é assim. As pessoas falam o que querem e ouvem o que não querem. A vida é dura - disse Lula, que em seguida ironizou quem o chamou de analfabeto.disse o Presidente, fazendo referência também a Caetano Veloso, que o chamou de "analfabeto" em uma entrevista.

O PSDB usa métodos semelhantes aos de Hitler no nazismo.

- Eu peguei duas manchetes de jornais hoje e não sei de qual jornal. Uma dizia:

"Contra Lula, o PSDB treina cabos eleitorais no Nordeste" (da "Folha de S. Paulo"). Ou seja, é um pouco o que o Hitler dizia para os alemães pegarem os judeus. Ou seja, vamos treinar gente para não permitir que eles sobrevivam - afirmou Lula.

Um país governado por um analfabeto vai terminar realizando um governo que mais investiu em educação. Vamos terminar nosso governo com 14 novas universidades federais. Estamos fazendo uma vez e meia o que eles não fizeram em um século. Sei que isso é intragável. O Fernando Henrique Cardoso achava que nós seríamos um fracasso e que ele poderia voltar - disse Lula.

Depois de voltar a repetir que "rei morto, rei posto", Lula disse que como vai deixar o governo em breve para Dilma Rousseff, "depois então talvez eu, que só tenho o quarto ano primário, quem sabe eu possa fazer o Pro-Une agora".

No início de seu discurso para os milhares de militantes do PCdoB reunidos no congresso nacional, o presidente brincou com a ministra Dilma, ao seu lado.

- A Dilma está doida para ficar no meu lugar - brincou Lula, mas depois falou sério.

- Dilma é quem vai poder conseguir dar continuidade ao nosso projeto - .
Repercutiu

"Achei realmente deselegante, para dizer o mínimo, o fato de o cantor ter chamado o presidente Lula de analfabeto, coisa que ele não é", afirmou o escritor Ricardo Lísias.
Além de sair em defesa de Lula, Ricardo Lísias criticou Fernando Henrique Cardoso. "Não concordo que ter FHC e depois Lula é algo bom. Eu acho FHC uma figura ornamental, um sujeito que se orgulha de falar inglês e francês, de ter doutorado, de ser professor da USP e que simplesmente fez um governo que só favoreceu a classe economicamente dominante. Tenho extrema antipatia por essa oligarquia de doutorado, que acha que sabe falar, o pessoal fino de Higienópolis."

"O leão(Caetano) está banguela, rugindo lugares comuns", opinou o ator Pascoal da Conceição.

http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2009/11/presidente-lula-responde-para-fhc-e.html

domingo, 1 de novembro de 2009

Preconceito não é crime ??


O velho preconceito contra Lula estampado em "O Globo", deprimente mas, não uma novidade, não isto não. O que a Elite brasileita representada nesta imagem e na fala de FHC, está querendo dizer? Basta!! Mas, examente a que eles querem dar um basta?


Lula o quase analfabeto, nordestino, retirante, sindicalista? A quem um dia a "intelectualidade" desse país, entre eles o FHC, admirou. O que eles odeiam em Lula? Penso, que eles odeiam menos o fato do Presidente ser amado pelo povo que o fato de Lula ter provado que era melhor do que eles.


Hora essa elite vê em Lula tudo aquilo que sempre temeu, Lula são os negros ganhando cotas nas universidades, Lula é diminuição da pobreza, Lula são os movimentos sociais sendo respeitados.


Quanto a FHC, perdeu mais uma oportunidade de ficar calado. De não demonstrar publicamente seu despeito, seu rancor, sua inveja (e inveja mata).


Quanto a imagem do jornal é lamentável, no mínimo. Mas é bom lembrar do torneiro mecânico que sofreu um acidente de trabalho que foi para um pronto socorro e não foi atendido e pela demora perdeu um dedo. Por que esse torneiro mecânico são muitos e estão espalhaos por esse Brasil, que a elite e FHC não conhecem.

Por qué no te callas?, FHC

por Luiz Carlos Azenha (http://www.viomundo.com.br/opiniao/fhc-acusa-lula-de-fazer-obras-historicas/)

Um bom jogador de futebol deve saber quando parar. Um bom politico, idem. De um ex-presidente da República, espera-se compostura.
Mas não deixa de ser curioso observar aquele momento revelador, em que fica claro que o corpo do jogador responde atrasado às exigências da mente. Ou quando a gente nota que um líder decadente se agarra furiosamente ao que já foi para preservar a autoimagem.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acaba de nos brindar com uma exposição pública desse "momento mágico". Com um texto rancoroso, por vezes desconexo, em que claramente concluiu primeiro -- o mundo vai acabar e a culpa é do governo Lula -- e depois correu atrás de argumentos para justificar a tese.

FHC começa acusando Lula, não se sabe exatamente do que:
Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advenha do nosso Príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o país, devagarinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade, que pouco têm a ver com nossos ideais democráticos.
Qual é o sentido disso? Como faltam argumentos objetivos ao ex-presidente, ele descreve o problema como se fosse uma doença insidiosa, da qual o próprio Lula pode até ser vítima. Tenho a impressão que FHC está tentando dizer que, "quando eu era presidente, o Brasil era uma democracia. Agora, está deixando de ser", por causa de algum vírus maligno.

Quem quiser ler o texto completo, está aqui

Eu, sinceramente, não consegui enxergar no texto uma unidade lógica. FHC recorre a todos os chavões que sugerem uma conspiração anarco-sindicalista. Como disse um leitor deste site, mais parece uma produção intelectual do professor Hariovaldo:
Em pauta, temos a transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no orçamento e minguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo TCU. Não importa: no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: “Minha casa, minha vida”; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.

É a primeira vez na História da política nacional em que alguém é ACUSADO de fazer obras importantes e históricas. Obras que, obviamente, não foram feitas nos oito anos de FHC. Por que? A quem servem essas obras? Quais foram as grandes obras de FHC e a quem serviram?
Sim, sim, eu sei que o manifesto de FHC foi político. Foi um chamamento às bases mais reacionárias e conservadoras do Brasil. E uma forma de tentar deslocar o debate de uma comparação entre os governos FHC e Lula no campo econômico, onde os números para os tucanos são devastadores, para o campo da política, em que embusteiros como o próprio ex-presidente contam com a máquina publicitária da mídia corporativa para propagar suas teorias conspiratórias e reproduzir o discurso do medo.

Pouco importa se o discurso não faz sentido. Quem está falando em razão? O que o ex-presidente faz é açular o medo da classe média, a insegurança que ela sente diante da ascensão social de pretos, pobres e nordestinos. O texto de FHC explora toda a gama de preconceitos contra Lula, Dilma "a mentirosa", os sindicalistas, poderes difusos e obscuros que operam nos bastidores, as estrelas do PT. Tem, portanto, um objetivo político bem definido: mobilizar o pavor contra "essa gentinha".

Mas esse ato de priapismo ideológico não deixa de ter suas vantagens: abre espaço para que façamos uma comparação objetiva sobre as diferenças entre os oito anos de FHC e os oito anos de Lula no poder. Não era esse o sonho do Planalto?

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Rápidas

* "Cometi um erro político", diz Yeda sobre a compra da casa, imagina se pega essa moda, todo suposto criminoso que for pego, dirá eu não roubei não seu juiz: " Cometi um erro político"...

** Patética à cena das secretárias chorando diante do discurso/desabafo (erg) da governadora...inclusive a da Cultura, àquela que também estava envolvida em escândalos...

*** Toda vez que Yeda teve uma "boa noticia", estourou mais uma bomba no Piratini, quem vive verá...

*** Imprensa isenta, mulheres tucanas escrevem carta de apoio a Yeda e a Abelhinha (Rosane Oliveira) publíca na íntegra o conteúdo... Mulheres de diversos setores escrevem carta de apoio a Raul Pont e a Abelhinha dá uma notinha....

***** E por aqui... "Avemos Prefeito??", Fábio Branco perdeu a liminar e habeas corpus no Supremo Tribunal Federal:

"A ação de habeas corpus junto à mais alta Corte do Judiciário visava à suspensão da execução de penas restritivas de direitos, às quais o prefeito foi condenado em sentença de 2003, com confirmação no Tribunal de Justiça (TJ-RS), em dezembro do mesmo ano."

"O indeferimento do habeas corpus nesta semana abre indagações quanto à continuidade do mandato do prefeito. Como a condenação de Branco era anterior ao pleito de 2008 (quando ele concorreu à Prefeitura), existem divergências em relação aos efeitos da cassação da liminar. Um dos entendimentos é de que o prefeito ficaria impedido de exercer o mandato. Valendo esta hipótese, de acordo com o artigo 44 da Lei Orgânica do município, assumiria o vice, Adinelson Troca. Já para o advogado que defende Branco, Giovani Bortolini, o julgamento do HC em nada influencia no mandato do chefe do Executivo. "A viabilidade eleitoral de Fábio Branco em nada é afetada por essa decisão."

É esperar para ver...

****** E para não dizerem que não falei de flores, domingo GRENAL. Com o Palmeiras entregando, o jogo será decisivo, se o INTER ganhar embala emocionalmente o time e arranca para o título. Oremos!

domingo, 18 de outubro de 2009

Pública ou privada, eis a questão?

Perdi o sono como sempre acontece no início do horário de verão, mas como a madrugada para mim sempre foi o melhor momento para pensar, fiquei analisando alguns fatos e fiquei com uma dúvida, que está me torturando, e olha que como professor sou um torturador, segundo minha amada governadora.

Estão lembrados do protesto em frente a "casinha" da Senhora? Naquele momento ela disse que aquilo não era democracia pois invadia o espaço pessoal da governadora, sua casa não era local de protesto era um local privado, não era o Piratini.

Pois bem, passou-se o tempo, e nada como o tempo, e vieram às claras os castos com, materiais indispensáveis à governabilidade : puf verde limão, piso emborrachado, lençol e toalha de luxo, móveis infantis... e aquela casa virou então um local público, pois ali reside um governante. Não entendi mais nada.E aqueles que foram processados por estarem fazendo protesto em frente a casa privada da governadora?

Para lembrar as fotos do protesto:







PSDB chama Dilma de "Essa mulher"

Durante toda semana passada e nesta também, o que mais temos ouvido nas rodas de amigos, ou nos partidos políticos, são, as declarações arrogantes, de mal gosto e, porque não dizer, desrespeitosa do marqueteiro do governador José Serra, quando se refere a uma ministra de Estado, Dilma Rousseff (Casa Civil), como "aquela mulher". Lógico que, o marqueteiro encomendado e pago pelos tucanos, não vai elogiar a ministra em uma matéria, com toda a pinta de pago, em um jornal do braço da Folha e Globo.

Mas, educação e respeito, não tem preço. E foi o que faltou para esse senhor, dono da agência de publicidade Lua Branca, que, trabalha nas propagandas do governo de S.Paulo. Ou seja, ganha salário do cofre público.

Não sei se vocês tem conhecimento,

O Valor Econômico é jornal de economia e nasceu de uma parceira entre O Globo e a Folha de S.Paulo. A primeira edição foi lançada em 2 de maio de 2000, sob o comando dos jornalistas Celso Pinto, Vera Brandimarte e Carlos Eduardo Lins Silva, que já foi empregado do José Serra na TV Cultura, e hoje ocupa o cargo de ombudsman da Folha . Percebam. Tudo dominado pelo PSDB.



Leiam

PSDB aposta em polarização de biografias

"Serra vai ganhar guerra de biografias
"Autor(es): Caio JunqueiraValor Econômico -
13/10/2009

Luiz González, 56 anos, paulistano, neto de espanhóis da Galícia, deverá ser o principal estrategista da campanha do governador de São Paulo, José Serra, a presidente em 2010. É o marqueteiro preferido dos tucanos paulistas. Sua ascensão no marketing político foi concomitante à consolidação do PSDB no governo estadual. Já se vão 15 anos desde que fez a campanha de Mário Covas, em 1994, mesmo ano em que trabalhou para Serra, que disputava o Senado. Quatro anos depois, ajudava Covas a se reeleger. Em 2000, perdeu com Alckmin na prefeitura, mas o fez governador dois anos depois. Voltaria a trabalhar para Serra na campanha à prefeitura em 2004 e ao governo do Estado em 2006, quando atuou para Alckmin na disputa presidencial. No ano passado, elegeu Gilberto Kassab (DEM) prefeito.

Foi em sua agência Lua Branca, detentora de contratos de publicidade tanto com a Prefeitura de São Paulo quanto com o governo paulista, que ele recebeu o Valor para uma entrevista, explicitou sua estratégia que, a exemplo do governo, é de polarização entre Serra e Dilma - "Só que o embate não vai ser entre Lula x FHC, mas entre a biografia de um realizador e a de uma desconhecida". A seguir, trechos da entrevista:

Valor: O senhor não teme a transferência de votos de Lula para Dilma?

Luiz González: Aqui em São Paulo ou em Caetés (cidade pernambucana em que Lula nasceu)? Em Caetés haverá mais. A pergunta é: quanto Lula vai transferir nos lugares onde a informação é menos variada, chega mais devagar e as pessoas dependem mais do Estado? Quanto isso pesa mais do que a admiração que as pessoas possam ter por um cara como o Serra e a expectativa de que com ele o lugar onde o eleitor vive melhora? Lula fez campanha para Marta. Foi para o palanque e resultou em quê? Nada. Não levantou meio ponto porque o eleitor aqui é atento.

Valor: Mas e no resto do país?

González: Alckmin era desconhecido nacionalmente, enfrentava um mito que tinha disputado as cinco últimas eleições e que havia feito um governo em que a economia ia bem. Agora está invertido. A Dilma é desconhecida, o Serra é mais conhecido e tem mais biografia. Dilma precisa mostrar o que o governo fez. Pode subir até certo ponto, mas para subir para valer tem que expor a pessoa.

Valor: Foi a privatização que derrotou o Alckmin?

González: Eu nunca saí de um estúdio tão festejado como naquele dia do debate da Bandeirantes. Não só os políticos mas também os coleguinhas. E eu sabia que tinha dado errado. Tinha falado pra ele: não faz isso. Foi ali que ele perdeu a eleição. Colocou o dedo na cara do Lula, foi desrespeitoso. O público fala: "Quem é esse cara? Tô desconhecendo". E teve também a reação do Lula no segundo turno. Fez a famosa reunião no Palácio do Planalto com 17 ministros, despachou um para cada Estado e escalou quatro para aparecerem no "Bom Dia Brasil", "Jornal Hoje", "Jornal Nacional" e "Jornal da Globo". Várias entrevistas do PT metendo a ripa no Alckmin e do nosso lado ninguém. O Tasso (Jereissati) estava no interior do Ceará, o Sérgio Guerra, em Pernambuco, o César Maia sumiu. Consegui o Heráclito Fortes para dar uma coletiva. Se você dá uma entrevista às 15h eu tenho que dar outra às 15h30. Esse é o jogo. E o nosso foi um desastre.

Valor: A força do Lula no Nordeste também não foi decisiva?

González: Não foi apenas no Nordeste. Uma grande derrota que ele sofreu foi no Amazonas. Perdemos em Minas, que tem 10 milhões de eleitores, por 1 milhão de votos. No Amazonas, que tem 2 milhões, perdemos por 900 mil votos. Amazonas virou Minas, que é o terceiro colégio eleitoral do país, porque os dois candidatos da base do Alckmin, Arthur Virgílio e Amazonino Mendes, brigaram o tempo todo e nenhum deles conseguiu defender o candidato da acusação de que ele acabaria com a Zona Franca.

Valor: Em 2010, o comando de Lula sobre a campanha não fará a diferença?

González: Uma coisa é o Lula outra é essa mulher [Dilma] que ninguém sabe de onde veio. Estou colocando como caricatura o discurso, mas no fundo é o seguinte: será que as pessoas estão dispostas a aguentar o PT mais quatro anos sem o Lula? Sem o Lula ficam só os Waldomiros [Waldomiro Diniz, ex-assessor do Planalto flagrado em vídeo recebendo propina]. O Lula foi preservado nessa coisa toda, e sem ele como é que fica?

Valor: O senhor aposta numa campanha pela biografia, mas não acha que o governo vai se pautar por temas como Bolsa Família, crédito popular, valorização do salário mínimo?

González: Mas para cuidar disso aí você prefere esse cara aqui ou essa mulher [Dilma] que ninguém conhece? Tudo isso vai continuar e vai melhorar porque onde esse cara [Serra] põe a mão dá certo. Veja só, como ministro: 300 hospitais reformados. Como deputado: tirou o seguro-desemprego do papel. Como ministro da Saúde: fez os genéricos. Como governador: fez três vezes mais metrô que todo mundo. Onde ele põe a mão dá certo. Vai dar certo com aposentadoria, com salário mínimo, água encanada porque ele é um realizador, tem credibilidade, melhora a vida das pessoas por onde passa. E do lado de lá? Quem é? Ninguém sabe.

Valor: E o PAC e o pré-sal?

González: Eles vão mostrar o PAC, nós vamos mostrar que o PAC não existe. Está tudo parado. A vantagem da campanha política é que o contraditório é exercido todos os dias. Cada um fala o que quer, ouve o que não quer e o eleitor julga. Por isso a campanha não é publicitária, é jornalística. Quanto tem para o pré-sal? São 5 bilhões de barris a US$ 40 dólares o barril. US$ 200 bilhões. Por que não põe US$ 100 bilhões na saúde agora? Ah, não existe? Pensei que tivesse. Não estão falando que a Petrobras está sendo capitalizada com 5 bilhões de barris?

Valor: A aposta, então, é que na disputa entre biografias o Serra leve?

González: O Serra é o favorito, tem grandes chances de ganhar. A Dilma passou a ter problemas com a entrada do Ciro [Gomes] e da Marina. Será uma surpresa se ela decolar. O governo acha que vai ser um plebiscito Lula versus não-Lula, ou Lula versus FHC, mas nós não vamos deixar. Não é isso. É a biografia do Serra contra a da Dilma. E daí o nosso japonês é melhor do que o japonês dos outros. Serra foi deputado constituinte, senador, secretário de Estado, ministro duas vezes, prefeito, governador. Tudo o que ele fez alicerça o que vai prometer. Isso dá credibilidade, confiança. E é uma figura nacional.

Valor: Como contrabalançar o Norte e o Nordeste?

González: Uma questão central na campanha é que Serra não pode perder Sul e Sudeste. Não é à toa toda essa movimentação em São Paulo. Eles não são trouxas, precisam de alguém que tire votos do Serra aqui. Uns cinco, seis pontos. Todo esse jogo com o [Gabriel] Chalita é entre PSB e PT porque tem que tirar uns 4 milhões de votos do Serra aqui. O Nordeste é fundamental, é importante, mas acho que nunca se pode perder suas cidadelas. O negócio é que não se pode perder de muito lá e ganhar bem aqui. Serra é tido no Nordeste como o melhor ministro da Saúde que o Brasil já teve.

Valor: O PMDB é crucial?

González: Se o PMDB for para o governo nos prejudica bastante porque tempo de TV é importante.

Valor: O fato de o PMDB ter as maiores bancadas no Congresso e o maior número de prefeitos não é importante também?

González: Não. Isso não é garantido, pois ninguém sabe se eles vão ajudar mesmo. Alguns só ajudam se receberem recurso material, outros até ajudam adversários. O PMDB de Pernambuco é diferente do de Goiás, que é diferente do Rio. Há a possibilidade remota, mas existente, de eles fecharem com o Serra. Aí nossa chance aumenta muito. A possibilidade em que acredito: o PMDB não vai para ninguém. Aí zera e a eleição fica polarizada entre Serra e Dilma. Mas até o início da campanha ela vai sofrer com matérias que ela não emplaca. Alguém do PT em off criticando, dizendo que o gênio dela é ruim, que ela briga com todo mundo. Só bastidores. Ela vai sofrer com isso.

Valor: E o Ciro?

González: Não emplaca. Primeiro porque não vai ter tempo de TV. Vai ter PSB e mais o tempo igualitário, que vai dar uns dois minutos e meio. Sabe qual a leitura do público? ´Aquele pequenininho lá não vai governar porque não consegue agregar. Tem dois que são pra valer e dois nanicos´. Segundo porque ele é verborrágico e alguém vai provocá-lo. Pode ser o Serra ou até mesmo a Dilma, porque pode se travar uma disputa entre ela e o Ciro pelo segundo lugar. Para nós é o melhor cenário. Isso se o Ciro não tiver cometido nenhum deslize verborrágico, o que eu não acredito.

Valor: E a Marina?

González: É uma candidata interessante, bacana, com história bacana, com aura de seriedade. A única coisa que a prejudica neste momento é o pouco tempo de TV. É pouco para expor as ideias, convencer, seduzir e apaixonar. O eleitor também avalia a capacidade de fazer alianças pelo tempo de TV. A tradução do pouco tempo é esse: o cara não tem força. Ela tende a murchar também.

Valor: Aqui em São Paulo o PSDB faz sucessor sem atropelos?

González: São Paulo sempre é uma eleição complicada. É um lugar com opinião pública forte, gente informada, urbanizada, antenada. Mas acho difícil para a oposição mesmo porque não sei quem é o candidato.

Valor: O Palocci pode ser competitivo em São Paulo?

González: Será um erro se ele sair. Tem uma série de coisas de quando ele foi prefeito de Ribeirão Preto que ainda não foram resolvidas, assim como o caso do caseiro Francenildo que também não foi resolvido na opinião pública.

Valor: E a disputa entre os tucanos? Alckmin lidera as pesquisas, mas o meio político prefere Aloysio Nunes Ferreira, com dois pontos nas pesquisas. É difícil alavancar o Aloysio?

González: Você pergunta o que é mais difícil, não a minha preferência. Mesmo porque, essa é uma questão partidária e não me caberia opinar. Mas é óbvio que é mais difícil pegar alguém com 3 ou 5 pontos e lutar morro acima para levar a 20, 25 pontos e forçar o segundo turno do que pegar um candidato com 50 pontos, ex-governador do Estado.

Valor: O que é mais determinante ao voto?

González: Tem uma tese do professor João Albuquerque, da USP, defendendo que 15% votam por identificação, o mesmo percentual, por oposição e 70% por expectativa de benefício futuro. A questão central é como se cria uma identificação com o candidato e se desperta no eleitor a confiança de que ele é capaz de melhorar sua vida.Valor: A internet vai ser importante em 2010?González: A cada eleição a internet fica mais importante. E, em 2010, pode até ser a ferramenta mais comentada, pelas novidades que trará. Mas não acredito que será a mais importante. Nas condições de 2010, acho que a TV ainda será mais importante do que a internet, por mais amplas e diversificadas que sejam as ações na internet e por mais tradicionais que sejam na TV. Mário Covas dizia que se ele tivesse pouco dinheiro pagaria advogado e programa de TV e depois contrataria o resto. Se fosse para hierarquizar os veículos que eu usaria, diria que o mais importante é o horário eleitoral, free media [presença dos candidatos no rádio, TV, jornais e revistas], programa eleitoral no rádio e, por fim, a internet.

Valor: Por que?

González: Pela abrangência. O Brasil tem pouco mais de 131 milhões de eleitores. A televisão chega a praticamente todos. Existem 57 milhões de domicílios no Brasil. Há pelo menos um aparelho de TV em 95% desses domicílios - 170 milhões de brasileiros a assistem diariamente. Estima-se que haja até 60 milhões de internautas, com 11 milhões de conexões em banda larga. Ou seja: a televisão chega a muito mais gente. Outra questão é a distribuição geográfica. A TV chega a todo o país de maneira mais uniforme: 96% dos domicílios urbanos têm TV. Na zona rural a presença cai, mas ainda é alta: 78% das residências rurais têm TV. Essa presença avassaladora e bem distribuída não acontece, ainda, com a internet. A internet está mais presente nas regiões Sul e Sudeste, com 60% dos internautas. Mas as regiões Norte e Nordeste que têm, juntas, 34% do eleitorado, só têm 22% dos internautas.

Valor: Essa concentração da internet no Sul e Sudeste favorece alguma candidatura?

González: Acho que a internet vai servir de maneira distinta às candidaturas. Serve mais ao PT do que ao PSDB. Como o PT tem mais dificuldade no Sul e no Sudeste, onde a internet tem mais penetração, o instrumento vale mais. Da mesma forma, se o corte for cidade grande versus cidade pequena, o PT tem mais dificuldade nas capitais e cidades grandes. O PSDB tem mais dificuldade nos grotões. Desse ponto de vista, o que o PSDB precisa é de carro de som nas pequenas cidades. Além disso, a televisão é um veículo impressionista. É um veículo de emoção, que surpreende o telespectador em sua casa. Nessas características essenciais, é insubstituível.

Valor: O que o senhor achou da reforma eleitoral recém-aprovada?

González: Lamentável. O Congresso perdeu a oportunidade de limpar as regras eleitorais, de deixar o pleito mais livre. Por exemplo: não se pode usar imagem externa nas inserções ao longo da programação, nos comerciais. Mas se pode usar imagem externa nos programas grandes, em bloco. Qual o motivo?

Valor: Quais são os outros problemas da reforma?

González: A reforma instituiu um "liberou geral" nas coligações. Agora é possível, na mesma circunscrição eleitoral, fazer coligações que se contradizem. Essa emenda do "liberou geral" para as coligações atende a estratégia governista. Nos últimos anos, prevaleceu a norma que impedia o uso de um espaço eleitoral no rádio e na TV por um candidato a outro cargo. Mesmo assim, em 2006 Lula "invadiu" grande parte das campanhas estaduais, principalmente onde o candidato a governador do PT era fraco. Foi parcialmente punido por isso, com perda de tempo de TV. Nem todas as "invasões" foram descobertas a tempo de se acionar o TSE. Na eleição de 2010, as campanhas estaduais estão autorizadas a veicular "imagem e voz" do candidato a presidente, ou de militante político nacional. Traduzindo: é a licença para Lula e Dilma" invadirem" os tempos de propaganda de candidatos a governador, senador e deputados. Vai ser uma festa. Infelizmente, a oposição deixou passar. Vamos ver o que o TSE diz sobre o assunto.

http://julianaweis.blogspot.com/2009/10/psdb-arroganteserra-vai-ganhar-guerra.html

sábado, 17 de outubro de 2009

Fatos Novos

O Governo Yeda não precisa de uma oposição e muito menos de alguém que conspire contra ele. A YRC (Yeda Rorato Crusius ) deveria acabar com essa história de golpe. Por que os maiores "golpes" que esse desgoverno sofreu vieram de suas próprias víceras.

É um governo, que se não fosse a midia engajada desse Estado e uma maioria na AL, muitas vezes conquistada abaixo de chantagem política, já teria acabado oficialmente. Não se sustenta ética e moralmente.

Um governo que cria seus próprios monstros, zomba de todos. Ora a lista de compras da governadora beira a insânidade mental e moral, pufs verde limão, piso emborrachado e mobiliário infantil. E a declaração do relator da CPI é o retrato de como esse governo trata a coisa pública e de como está pouco ligando para opinião da população. O deputado Coffy Rodrigues (PSDB) saiu em defesa da governadora dizendo: "qual avó não compraria camas para o quarto dos netinhos, ou deixaria eles dormirem no chão?"

Agora sabe-se de que a lista de compras tem mais itens, em 2007 foram gastos mais de 3o mil reais com materiais de luxo lençóis e toalhas.. repito mais de 30 mil.

Imagino os pesadelos que aqueles responsáveis por defender esse governo têm todas as noites. Devem ter dor de barrigar só de imaginar os "fatos novos" que surgirão no outro dia, e eles surgem a cada momento, a cada hora. Agora mesmo enquanto escrevo deve está caindo outra máscara, para usar a expressão utilizada pela filha da governadora, mãe dos netinhos que ganharam, com o nosso dinheiro, camas novas.

E tem a Revista Isto é dessa semana, já publiquei parte da matéria no post anterior, afirmando que José Otavio Germando arrecadou dinheiro para Yeda após a campanha em troca do direito de nomear o diretor do DETRAN.

E a senhora YRC tem a coragem de dizer que se arma contra ela. Imagina se alguém iria perder tempo fazendo isso, é só esperar o próximo fato novo.